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Protestos no Irã: mortes, prisões em massa e repressão marcam nova onda de manifestações

Protestos no Irã deixam ao menos 65 mortos e mais de 2.300 presos, segundo a HRANA. Repressão, apagão de internet e tensão marcam o país.Protestos no Irã deixam ao menos 65 mortos e mais de 2.300 presos, segundo a HRANA. Repressão, apagão de internet e tensão marcam o país.

 


O Irã vive uma das mais intensas ondas de protestos dos últimos anos. As manifestações, que começaram no fim de dezembro, tiveram origem em problemas econômicos graves — como inflação elevada, desemprego e desvalorização da moeda —, mas rapidamente ganharam caráter político, com críticas diretas ao regime e às lideranças religiosas do país.


À medida que os protestos se espalharam, a resposta do governo foi marcada por repressão pesada. Segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), agência ligada à ONG Human Rights Activists in Iran (HRAI) e especializada em monitorar violações de direitos humanos no país, ao menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas desde o início das manifestações. A própria agência afirma que esses números representam apenas os casos confirmados e que o total real pode ser maior, já que o bloqueio de informações dificulta a checagem.


Apagão de internet e repressão


Um dos principais instrumentos usados pelo governo iraniano para conter os protestos tem sido o bloqueio quase total da internet e das comunicações. Em várias regiões, o acesso à rede ficou intermitente ou totalmente cortado por dias, o que dificulta tanto a organização dos manifestantes quanto o trabalho de jornalistas e observadores independentes.


Relatos reunidos pela HRANA indicam que forças de segurança, polícia e Guarda Revolucionária utilizaram gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição real para dispersar protestos. Há registros de invasões a bairros, prisões noturnas, detenções em massa e uso de violência contra manifestantes, incluindo jovens e mulheres.


Além dos civis, também houve mortes entre membros das forças de segurança. A HRANA aponta que, entre os mortos, há manifestantes, policiais e agentes ligados ao regime, o que mostra o grau de confrontação atingido nas ruas.


Prisões e acusações graves


As mais de 2.300 prisões confirmadas pela HRANA ocorreram em centenas de cidades, praticamente em todas as províncias do país. Muitos detidos são estudantes, trabalhadores, professores, ativistas e até jornalistas.


Autoridades iranianas passaram a classificar parte dos manifestantes como “inimigos de Deus”, uma acusação grave no sistema jurídico do país, que pode resultar em penas severas, inclusive a morte, dependendo do caso. Organizações de direitos humanos alertam para o risco de julgamentos sumários e falta de garantias legais.


Quem é a HRANA


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A Human Rights Activists News Agency é a agência de notícias da organização Human Rights Activists in Iran, fundada em 2006. Com sede administrativa nos Estados Unidos, mas com rede de colaboradores dentro e fora do Irã, a HRANA se tornou uma das principais fontes independentes sobre o que acontece no país, justamente porque a imprensa local sofre forte censura.


A agência coleta dados por meio de testemunhas, familiares de vítimas, advogados, ativistas, redes locais e cruzamento com informações oficiais e extraoficiais. Por isso, seus relatórios costumam ser usados por veículos internacionais e por organizações de direitos humanos, sempre com a ressalva de que os números são estimativas mínimas.


Reação internacional


A repressão gerou críticas de governos e entidades internacionais. Países europeus e os Estados Unidos condenaram o uso de força letal contra manifestantes e pediram respeito aos direitos humanos. Em várias capitais do mundo, houve atos de solidariedade aos iranianos.


O governo do Irã, por sua vez, acusa potências estrangeiras de incentivarem os protestos e afirma que está apenas defendendo a ordem e a segurança nacional.


Um país sob tensão


Com dezenas de mortos, milhares de presos, internet controlada e ruas vigiadas por forças armadas, o Irã vive um momento de forte tensão interna. Para a HRANA e outras organizações, o que se vê é uma crise que vai além da economia: trata-se de um confronto direto entre parte da sociedade e a estrutura política e religiosa que governa o país há décadas.


Enquanto a repressão continua e as informações seguem limitadas, o número real de vítimas pode ser ainda maior. O cenário permanece instável, e o desfecho dessa nova onda de protestos ainda é incerto.