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Polícia Militar é acusada de agredir trabalhadores em greve na Brose do Brasil, no Paraná

 Imagem reprodução redes sociais - Polícia Militar é acusada de agredir trabalhadores em greve na Brose do Brasil, no ParanáNelsão da Força é detido em protesto de metalúrgicos em São José dos Pinhais

A atuação da Polícia Militar do Paraná durante uma greve de trabalhadores da Brose do Brasil, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, gerou forte repercussão nesta semana. Funcionários da fábrica de autopeças acusam a PM de agressões, uso de força excessiva e repressão a um protesto pacífico, realizado em defesa de salários atrasados e reajuste no piso da categoria.

A paralisação teve início no dia 28 de janeiro de 2026 e envolve dezenas de trabalhadores que afirmam estar enfrentando dificuldades financeiras diante do atraso nos pagamentos e da falta de avanços nas negociações salariais.

Greve por salários atrasados e reajuste

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, os funcionários da Brose reivindicam a regularização de salários atrasados, além de um reajuste no piso salarial, considerado defasado em relação a outras empresas do setor automotivo.

Entre as principais pautas do movimento estão:

  • Pagamento imediato dos salários em atraso;
  • Reajuste do piso salarial da categoria;
  • Melhoria nos benefícios, como vale-alimentação;
  • Avanços nos acordos coletivos de trabalho.

De acordo com o sindicato, os trabalhadores recebem, em média, cerca de R$ 2.500, além de um vale-mercado de R$ 500, valores que estariam abaixo do praticado por outras empresas do setor na região.

Intervenção da Polícia Militar

Na manhã da quarta-feira (4), a situação se agravou quando a Polícia Militar foi acionada para intervir no movimento grevista, que ocorria em frente aos portões da fábrica.

Relatos de trabalhadores e sindicalistas indicam que a PM tentou dispersar os grevistas, utilizando gás de pimenta e força física. Durante a ação, o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, conhecido como Nelsão da Força, foi detido após ser imobilizado por policiais.

Vídeos e depoimentos divulgados nas redes sociais mostram momentos de tensão e reforçam a versão de que não houve confronto por parte dos trabalhadores, que afirmam ter realizado apenas um ato pacífico.

Críticas e questionamentos sobre a legalidade da ação

A atuação da Polícia Militar foi duramente criticada por representantes sindicais e por entidades ligadas ao movimento trabalhista. Segundo eles, não havia ordem judicial determinando a retirada dos grevistas do local.

Para o sindicato, a intervenção configura uma violação do direito constitucional de greve e representa um excesso no uso da força contra trabalhadores que reivindicam direitos básicos.

“A greve é um direito garantido por lei. O que vimos foi repressão”, afirmou um dirigente sindical durante o protesto.

Audiência no Ministério Público

Após os episódios de violência, uma audiência de mediação foi marcada para sexta-feira (6), no Ministério Público do Trabalho, com a participação de representantes da empresa e dos trabalhadores.

A expectativa é que a reunião possa abrir caminho para um acordo e evitar novos confrontos. Até lá, a greve segue mantida.

Empresa ainda não se pronunciou

Até o momento, a Brose do Brasil não divulgou nota oficial detalhando sua posição sobre as denúncias de agressão ou sobre as reivindicações dos trabalhadores. A empresa é uma multinacional alemã do setor automotivo e fornece peças para grandes montadoras instaladas no Brasil.