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Rejeição ao aborto no Brasil atinge 68%, maior índice desde 2021, aponta pesquisa nacional

Manifestantes carregam cruzes com versículos bíblicos durante ato religioso em protesto contra o aborto, simbolizando posicionamento moral e fé pública.Manifestantes carregam cruzes com versículos bíblicos durante ato religioso em protesto contra o aborto, simbolizando posicionamento moral e fé pública.
Levantamento revela crescimento da oposição ao procedimento no país, diferenças entre gerações e relação com mudanças no perfil ideológico da população brasileira.

Uma pesquisa recente realizada pelo instituto PoderData revelou que 68% dos brasileiros são contra a liberação do aborto no país. O número representa o maior nível de rejeição desde o início da série histórica do instituto, iniciada em 2021, e confirma que a maioria da população mantém uma posição contrária à ampliação do direito ao procedimento.

Segundo o levantamento, 22% dos entrevistados declararam ser favoráveis à liberação do aborto, enquanto 10% afirmaram não saber ou preferiram não responder. Os dados mostram que, embora exista uma parcela significativa da população que apoia a legalização, a rejeição permanece predominante e apresenta leve crescimento ao longo dos últimos anos.

A pesquisa mostra que mais de dois terços da população brasileira rejeitam a liberação do aborto, consolidando a maior taxa de oposição desde o início da série histórica em 2021.

Evolução histórica dos números desde 2021

Os dados do PoderData indicam que a oposição ao aborto tem se mantido estável em níveis elevados nos últimos anos, com pequenas variações. Em 2021, cerca de 63% dos brasileiros se declaravam contrários à liberação do procedimento. Em 2022, esse percentual subiu e passou a oscilar entre 64% e 66%. Já entre 2023 e 2024, a rejeição variou entre 65% e 67%.

O índice atual de 68% representa o ponto mais alto da série histórica, sugerindo um fortalecimento gradual da posição contrária à liberação. Ao mesmo tempo, o percentual de brasileiros favoráveis ao aborto tem se mantido relativamente estável, geralmente variando entre 20% e 25% ao longo do período analisado.

Esse cenário indica que não houve uma mudança abrupta na opinião pública, mas sim uma tendência consistente de maioria contrária ao procedimento, com pequenas oscilações ao longo dos anos.


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Diferenças de opinião entre faixas etárias

A pesquisa também revela diferenças importantes entre as gerações. Entre os brasileiros com mais de 60 anos, 25% afirmaram ser favoráveis à liberação do aborto, percentual superior à média nacional de 22%. Isso indica que, embora a maioria dos idosos também seja contrária, existe uma proporção relativamente maior de apoio nessa faixa etária em comparação com outros grupos.

Por outro lado, o grupo com maior nível de rejeição é formado por adultos entre 25 e 44 anos. Nessa faixa, que inclui pessoas pertencentes às gerações conhecidas como millennials e parte da geração Z, 70% declararam ser contrários à liberação do aborto. Trata-se do maior índice de rejeição entre todos os grupos etários analisados.

O resultado chama a atenção por contrariar uma expectativa comum de que as gerações mais jovens tenderiam a apresentar posições mais liberais em relação a temas sociais. No caso brasileiro, os dados indicam que parte significativa dos adultos jovens mantém posições conservadoras sobre o aborto.

Comparação com tendências globais

O cenário brasileiro apresenta semelhanças com tendências observadas em outros países. Um levantamento global realizado pela Ipsos, intitulado Global Views on Abortion e divulgado em 2023, analisou a opinião pública em diversas nações e identificou padrões semelhantes em algumas regiões.

De acordo com a pesquisa internacional, 62% dos baby boomers — pessoas nascidas entre 1946 e 1964 — declararam ser favoráveis ao aborto na média global. Já entre os millennials, nascidos entre o início dos anos 1980 e meados dos anos 1990, 53% afirmaram ser contrários ao procedimento. Entre a geração Z, formada por pessoas nascidas a partir da segunda metade dos anos 1990, a rejeição alcançou 55%.

Esses dados indicam que o posicionamento sobre o aborto não segue necessariamente um padrão uniforme entre gerações e pode variar conforme fatores culturais, religiosos, sociais e políticos específicos de cada país.

Relação com posicionamento ideológico

Pesquisas recentes sobre posicionamento político ajudam a contextualizar os resultados observados no Brasil. Um levantamento realizado pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg mostrou que 52% dos integrantes da geração Z no país se identificam como de direita ou centro-direita.

Entre os millennials, esse percentual é de 51%, indicando que mais da metade dos adultos jovens brasileiros possui posicionamento ideológico mais conservador ou moderado à direita.

Já entre os baby boomers, a tendência é diferente. Segundo a mesma pesquisa, 57% das pessoas com mais de 60 anos se identificam como de esquerda ou centro-esquerda. Esse dado sugere uma inversão no padrão geracional observado em décadas anteriores, quando os jovens eram mais associados a posições progressistas.

Essa mudança no perfil ideológico pode contribuir para explicar os níveis elevados de rejeição ao aborto entre determinadas faixas etárias, especialmente entre adultos jovens.

Resumo dos principais números da pesquisa:
  • 68% dos brasileiros são contra a liberação do aborto
  • 22% são favoráveis
  • 10% não souberam opinar
  • 25% das pessoas com mais de 60 anos são favoráveis
  • 70% das pessoas entre 25 e 44 anos são contrárias
  • Maior índice de rejeição desde 2021
  • Mais da metade dos jovens se identificam como direita ou centro-direita

Situação legal do aborto no Brasil

No Brasil, o aborto é permitido apenas em três situações específicas previstas na legislação e em decisões judiciais. O procedimento é legal quando a gravidez é resultado de estupro, quando há risco à vida da gestante e quando o feto apresenta anencefalia, condição caracterizada pela ausência de partes do cérebro.

A autorização para aborto em casos de anencefalia foi estabelecida por decisão do Supremo Tribunal Federal em 2012, após julgamento que considerou a inviabilidade de vida fora do útero nesses casos.

Fora dessas situações, o aborto é considerado crime pelo Código Penal brasileiro, com previsão de sanções legais.

Influência de fatores culturais e sociais

Especialistas apontam que diversos fatores influenciam a opinião pública sobre o aborto no Brasil. Entre eles, destacam-se a influência religiosa, valores culturais, convicções pessoais e o contexto político.

O Brasil é um país com forte presença de diferentes tradições religiosas, incluindo catolicismo e diversas denominações evangélicas, que historicamente mantêm posições contrárias ao aborto.

Além disso, o tema é frequentemente associado a debates mais amplos sobre valores morais, direitos individuais e políticas públicas, o que contribui para sua relevância no debate público.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa do PoderData foi realizada com entrevistas por telefone, utilizando amostragem representativa da população brasileira adulta em todas as regiões do país. O levantamento possui margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Esse tipo de metodologia é amplamente utilizado em pesquisas de opinião pública e permite identificar tendências gerais no posicionamento da população sobre temas relevantes.

Debate público permanece ativo

O aborto continua sendo um dos temas mais debatidos no Brasil, envolvendo questões legais, éticas, religiosas e sociais. O assunto frequentemente aparece em discussões políticas, decisões judiciais e debates legislativos.

Os dados mais recentes indicam que a maioria da população brasileira mantém uma posição contrária à liberação do aborto, enquanto uma parcela menor se posiciona a favor da ampliação do direito ao procedimento.

A evolução desses números ao longo dos próximos anos poderá indicar se essa tendência será mantida ou se ocorrerão mudanças significativas na opinião pública.

Fonte: PoderData, Ipsos e AtlasIntel