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Mendonça afirma que investigação do Banco Master seguirá provas, mesmo se atingir ministros do STF

André Mendonça (Foto: Carlos Moura/STF)André Mendonça (Foto: Carlos Moura/STF)
Publicado em 06 de março de 2026 | Política e Justiça
Ministro do STF afirma que investigação deve seguir o “rastro das provas”, mesmo que apuração alcance autoridades com foro privilegiado.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou que as investigações sobre o caso envolvendo o Banco Master deverão seguir exclusivamente as provas reunidas pela Polícia Federal, mesmo que os desdobramentos da apuração levem a autoridades com foro privilegiado — incluindo integrantes da própria Suprema Corte.

A declaração ocorre em meio à crescente repercussão política provocada por informações extraídas de dispositivos eletrônicos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira e investigado no caso.

Segundo relatos de bastidores em Brasília, Mendonça teria afirmado a interlocutores que o inquérito deve seguir o chamado “rastro das provas”, sem interferências políticas ou institucionais no andamento das investigações.

Investigação não terá limites políticos

A posição do ministro foi interpretada por analistas políticos e jurídicos como um recado institucional em meio às tensões que cercam o caso.

Nos bastidores do Congresso e do Judiciário, a avaliação é que Mendonça busca reforçar que a investigação não será direcionada para proteger ou atingir autoridades específicas, mas sim conduzida de acordo com os elementos reunidos durante o processo investigativo.

Caso as evidências apontem para autoridades com foro privilegiado, caberá ao próprio STF avaliar os desdobramentos jurídicos dentro do processo.

Mensagens encontradas em celular de banqueiro

A possibilidade de menções a ministros do Supremo surgiu após a análise de dados extraídos de aparelhos eletrônicos ligados a Daniel Vorcaro.

Reportagens indicaram a existência de mensagens que mencionariam autoridades do Judiciário, incluindo uma suposta troca de mensagens com o ministro Alexandre de Moraes.

Moraes negou ter recebido as mensagens divulgadas e afirmou que as informações divulgadas são “ilações mentirosas” utilizadas para tentar atacar o Supremo Tribunal Federal.

Os conteúdos fazem parte de um conjunto de dados que ainda está sendo analisado pela Polícia Federal no âmbito do inquérito.

Mudança na relatoria do processo

A investigação passou a ser conduzida por André Mendonça após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso.

Mesmo com a mudança, o Supremo Tribunal Federal decidiu manter válidos todos os atos já realizados na investigação até então, incluindo provas coletadas e diligências autorizadas anteriormente.

A decisão evitou que o processo tivesse que ser reiniciado do zero, garantindo continuidade às apurações.

Perícia em dispositivos eletrônicos

Entre as medidas adotadas no andamento do inquérito, Mendonça autorizou a realização de perícias em diversos dispositivos eletrônicos apreendidos durante a investigação.

Os aparelhos — que incluem celulares e outros equipamentos digitais — podem conter informações consideradas importantes para esclarecer possíveis relações entre investigados e autoridades públicas.

O ministro também determinou que o caso seja mantido sob sigilo rigoroso, prática comum em investigações desse tipo para evitar vazamentos e preservar a coleta de provas.

Vazamento de informações também será investigado

Outro ponto que passou a ser investigado é o possível vazamento de mensagens e documentos ligados ao inquérito.

O Supremo determinou que sejam apuradas as circunstâncias em que parte dessas informações chegou à imprensa antes de serem oficialmente divulgadas no processo.

A investigação busca identificar se houve quebra ilegal de sigilo ou uso indevido de dados que fazem parte do material sob análise da Polícia Federal.

Contexto político:

O caso envolvendo o Banco Master ganhou grande repercussão política em Brasília por envolver suspeitas de relações entre empresários, autoridades públicas e integrantes do sistema de Justiça. Nos últimos dias, parlamentares passaram a cobrar esclarecimentos sobre as informações divulgadas, enquanto integrantes do Judiciário defendem cautela até que as investigações sejam concluídas.

Especialistas em direito avaliam que a declaração de Mendonça reforça o princípio de que investigações devem ser conduzidas com base em evidências concretas, preservando a autonomia das instituições responsáveis pela apuração dos fatos.