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Pavanato na USP: O confronto que parou a Cidade Universitária nesta quarta-feira

Pavanato na USP: O confronto que parou a Cidade Universitária nesta quarta-feira

Uma nova ação do vereador paulistano Lucas Pavanato (PL) no campus da Universidade de São Paulo (USP) resultou em um cenário de violência na tarde desta quarta-feira (4). O episódio, marcado por relatos de agressões físicas e o uso de spray de pimenta por seguranças, reacende o debate sobre a presença de parlamentares em ambientes acadêmicos para fins de agitação política.

O Início do Conflito: "Aborto é Assassinato Sentado"

O tumulto teve início quando Pavanato montou uma estrutura no campus com um cartaz provocativo que dizia: "Aborto é assassinato sentado. Prove o contrário". A dinâmica, inspirada em modelos de ativismo de direita dos Estados Unidos, como os de Charlie Kirk, rapidamente atraiu a atenção de estudantes que passavam pelo local.

O que começou como uma discussão ideológica escalou para um confronto físico quando grupos de alunos tentaram expulsar o vereador e sua equipe da universidade. Segundo testemunhas, a situação saiu do controle quando os seguranças que acompanhavam o parlamentar reagiram às tentativas de remoção da tenda.

Relatos de Violência e Estudantes Hospitalizados

Imagens que circulam nas redes sociais mostram momentos de tensão, com troca de socos e empurrões. O uso de spray de pimenta por parte da equipe de segurança de Pavanato foi confirmado por diversos relatos e vídeos.

Feridos no Incidente:
  • André Cerqueira, aluno de Letras, relatou ter sofrido uma lesão no ligamento do joelho durante a confusão.
  • Um segundo estudante foi encaminhado ao hospital com suspeita de ruptura do tendão de Aquiles.
  • Outros alunos apresentaram irritações nos olhos e vias respiratórias devido ao agente químico utilizado.
  • Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), pelo menos três alunos tiveram que receber atendimento médico.

Por outro lado, o vereador Lucas Pavanato utilizou suas redes sociais para alegar que foi vítima de uma "emboscada" por parte de cerca de 70 alunos. Segundo sua versão, a vereadora Eduarda Campopiano (PL), que o acompanhava, teria sido agredida, e equipamentos de sua equipe foram danificados durante o confronto.

Histórico de Tensões e Investigações

Esta não é a primeira vez que Pavanato protagoniza episódios polêmicos na Cidade Universitária. O parlamentar já possui um histórico de confrontos no local, incluindo:

  • 2024: Condenado a pagar R$ 8 mil de indenização a uma estudante por uso indevido de imagem em vídeo gravado sem consentimento.
  • Maio de 2025: Montou uma mesa com cartaz provocativo "Bolsonaro é melhor que Lula! Prove o contrário", gerando novo confronto com alunos.
  • Investigação em Andamento: O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acompanha as ações do vereador, investigando se suas visitas às faculdades configuram abuso de poder ou incitação à violência.

Posicionamento da Universidade e Registro Policial

Em nota oficial, a Reitoria da USP repudiou os atos de violência e reiterou que, embora a universidade seja um espaço aberto ao debate de ideias, a integridade física de sua comunidade deve ser preservada. A instituição informou que está colaborando com as autoridades para identificar os responsáveis pelas agressões.

O caso foi registrado como vias de fato e lesão corporal. Os estudantes feridos devem passar por exames de corpo de delito para formalizar as denúncias contra a equipe do vereador.

Contexto Político e Estratégia de Ativismo

Pavanato afirma que suas ações são inspiradas no ativista de direita estadunidense Charlie Kirk e que busca "acordar os estudantes para os problemas que nós temos nas universidades". Suas visitas ao campus têm se tornado cada vez mais frequentes e provocativas, gerando reações contrastantes: apoio de grupos conservadores e rejeição de movimentos estudantis progressistas.

O incidente desta quarta-feira coloca em pauta questões sobre segurança no campus, liberdade de expressão e os limites do ativismo político em ambientes acadêmicos.