Durante a abertura da 9ª Reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso incisivo ao alertar sobre os perigos das tarifas arbitrárias que, segundo ele, “desestabilizam a economia internacional e elevam os preços”. A fala reforça o posicionamento do Brasil diante de um cenário global em que medidas unilaterais, adotadas por grandes potências, ameaçam a estabilidade econômica de países em desenvolvimento.
“Tarifas arbitrárias desestabilizam a economia internacional e elevam os preços. A história nos ensina que guerras comerciais não têm vencedores”, declarou Lula, em tom de crítica às práticas protecionistas que têm ganhado força nos últimos anos.
A fala ocorre num momento em que a América Latina busca consolidar sua posição frente às disputas geopolíticas e comerciais entre grandes blocos como Estados Unidos, China e União Europeia. Lula ressaltou que, se os países da região permanecerem isolados, correm o risco de retornar à condição de zona de influência em uma nova divisão global, dominada por superpotências.
Para o presidente brasileiro, a resposta a esse cenário passa pela integração econômica e comercial da América Latina e do Caribe. Lula defendeu o fortalecimento do comércio regional, o uso de moedas locais nas transações e a reativação de mecanismos financeiros que facilitem a cooperação entre os países da CELAC. Também destacou que, atualmente, o Brasil já movimenta mais comércio com os países da CELAC (86 bilhões de dólares) do que com os Estados Unidos.
Lula defende democracia, integração regional e nova ordem econômica na CELAC
“Quanto mais fortes unidas estiverem nossas economias, mais protegidos estaremos contra ações unilaterais”, reforçou.
Além das tarifas, Lula abordou outros desafios enfrentados pela região, como a fome, a crise climática, o risco à democracia e o aumento da desinformação. No entanto, foi firme ao afirmar que não se pode aceitar que a região continue sendo penalizada por decisões tomadas fora de seus territórios, muitas vezes por potências que utilizam barreiras comerciais como ferramentas de dominação.
Um apelo à ação coletiva
Ao fim do discurso, Lula propôs a criação de um grupo de trabalho dentro da CELAC para discutir novas regras de consenso entre os países-membros, de forma a evitar paralisias e garantir avanços reais nas pautas conjuntas. Ele também convidou os líderes caribenhos para uma nova cúpula em Brasília e prometeu empenho durante a presidência brasileira do Mercosul para fechar um acordo com a União Europeia e estreitar laços com a América Central.
O discurso de Lula na CELAC reflete um apelo direto à unidade regional e ao enfrentamento conjunto dos desafios impostos por um mundo em transição. Para ele, o momento exige pragmatismo, cooperação e coragem para mudar as regras de um jogo que, por décadas, tem colocado os países do Sul Global em desvantagem.
