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| Haddad defende avanços sociais, corte de privilégios e justiça fiscal para reduzir desigualdade pior que em 47 países africanos. |
Enquanto defende o corte de privilégios fiscais e o fechamento de brechas como as apostas online, o ministro Fernando Haddad também usou a entrevista ao Metrópoles para traçar um paralelo incômodo: o Brasil, mesmo entre as dez maiores economias do planeta, ainda amarga indicadores sociais piores do que a maioria dos países da África.
“O Brasil perde em distribuição de renda para 47 dos 54 países africanos. Isso deveria chocar todo mundo. A América Latina é o continente mais desigual do mundo”, alertou o ministro.
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Para Haddad, o dado é simbólico: mostra que o país ainda carrega feridas históricas, como 350 anos de escravidão, que só poderão ser enfrentadas com políticas públicas ousadas — como as que marcaram os primeiros mandatos de Lula.
📚 Educação e oportunidades: vitórias do passado e desafios do presente
Haddad relembrou que nos primeiros governos do presidente Lula, o país avançou no combate à pobreza extrema e na democratização do acesso à educação superior, principalmente por meio de programas como ProUni e ReUni. A inclusão de jovens negros, periféricos e pobres nas universidades foi um marco que ele defende ampliar no terceiro mandato.
“Hoje, nosso desafio é enfrentar a desigualdade com mais profundidade. É injusto que 1% da população tenha privilégios e não contribua para o ajuste fiscal”, disse, reforçando que o modelo de isenções concentradas não pode mais sobreviver.
🗳️ Negociação como regra do jogo
Haddad enfatizou que o diálogo com o Congresso é permanente. Embora o embate sobre o IOF e a tributação de setores bilionários como fundos exclusivos gere tensão, o ministro defende que o equilíbrio entre os Poderes é essencial para a governabilidade.
“Não saímos da mesa de negociação. Não existe economia desenvolvida com esse nível de desigualdade. Sem justiça fiscal, o crescimento é voo de galinha”, destacou.
⚡ Crise energética e contas públicas
Outro ponto sensível na gestão atual é o modelo do setor elétrico, que segundo o ministro precisa ser reformulado para não penalizar os mais pobres. “Hoje, quem consome até 80 kW deveria ser isento de pagar conta de luz. É assim que se combate desigualdade na prática”, afirmou.
Enquanto isso, o Executivo já bloqueou R$ 30 bilhões em gastos — um gesto para mostrar que o ajuste fiscal não recai apenas sobre o contribuinte. “Precisamos fazer esse 1% do andar de cobertura pagar o justo”, reiterou.
📅 O que esperar nos próximos meses
O governo mantém na agenda a promessa de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil, apesar das dificuldades de articulação no Congresso. Além disso, as discussões sobre carga tributária justa, combate a privilégios e novos marcos regulatórios devem seguir como temas centrais do segundo semestre.
“O crescimento sustentável não virá sem reduzir desigualdades históricas. Não estamos falando só de economia — é questão de cidadania”, finalizou o ministro.
📌 Para acompanhar: A audiência de conciliação sobre o IOF ocorre em 15 de julho, mas o tema promete render capítulos decisivos para o equilíbrio das contas públicas e o embate político entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
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