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Confusão marca instalação da CPMI do INSS no Senado

Imagem Reprodução Carlos Viana (Podemos-MG)  • Jefferson Rudy/Agência Senado
Carlos Viana (Podemos-MG)  • Jefferson Rudy/Agência Senado

 


A instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, realizada nesta quarta-feira (20), foi marcada por discursos acalorados, troca de acusações e disputas pela presidência da comissão. O colegiado foi criado para investigar denúncias de fraudes que têm atingido aposentados e pensionistas em todo o país, especialmente no crédito consignado.


Logo no início da sessão, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) fez duras críticas à condução de CPIs anteriores, especialmente à presidida pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) durante a pandemia. Girão afirmou que houve “blindagem de prefeitos e governadores” e acusou Aziz de falta de imparcialidade. Em tom enfático, declarou que a atual CPMI tem a missão de “desvendar esse roubo escancarado contra os aposentados do Brasil”.


Apesar de ter lançado sua candidatura à presidência da comissão, Girão retirou o nome e declarou apoio ao senador Carlos Viana (Podemos-MG), justificando a decisão como um gesto em busca de maior isenção na condução dos trabalhos.


Omar Aziz, por sua vez, rebateu as críticas e defendeu que a CPMI não pode se transformar em “uma guerra de narrativas”. Ele ressaltou que o objetivo principal deve ser a investigação profunda e imparcial dos esquemas que lesaram aposentados. “Não dá para prejulgar nem inocentar antes da apuração. Nosso dever é punir os responsáveis e criar mecanismos para evitar novas fraudes”, afirmou.


Entre as denúncias que motivaram a criação da CPMI estão empréstimos consignados feitos em nome de beneficiários sem autorização, descontos indevidos e dívidas que muitos aposentados sequer sabiam possuir. Casos de endividamento extremo, sem que o segurado tenha recebido qualquer valor, se tornaram frequentes em diversas regiões do país.


Apesar da tensão, a votação para escolha da presidência da comissão foi aberta, seguindo o regimento do Senado, em escrutínio secreto. A expectativa é que, uma vez instalada, a CPMI possa dar respostas concretas a milhões de aposentados e pensionistas que aguardam providências contra as fraudes no INSS.



Oposição assume comando da CPMI do INSS com vitória de Carlos Viana


A disputa pelo comando da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS terminou com vitória da oposição. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente do colegiado por 17 votos a 14, derrotando o senador Omar Aziz (PSD-AM), que contava com o apoio do governo.


A eleição, realizada em escrutínio secreto, consolidou um revés para a base governista no Congresso. Viana, ao assumir a presidência, destacou que sua condução será pautada pela “responsabilidade e independência”, com o compromisso de apresentar soluções legislativas capazes de barrar novas fraudes que atingem aposentados e pensionistas da Previdência Social.


A CPMI é formada por 32 parlamentares — 16 senadores e 16 deputados — e terá a tarefa de investigar denúncias de descontos indevidos e operações irregulares envolvendo empréstimos consignados, prática que tem levado milhares de beneficiários ao endividamento sem sequer terem acesso ao crédito contratado.


O perfil de Carlos Viana


Ex-jornalista, Carlos Viana iniciou sua trajetória política em 2018, quando foi eleito senador por Minas Gerais. Antes de ingressar no Congresso, atuou em redações de rádio e TV, passando por emissoras como Globo Minas, Record Minas e Rádio Itatiaia.


No Senado, ganhou notoriedade por defender o turismo como alternativa econômica à mineração em Minas e por integrar debates sobre desenvolvimento regional. Em 2022, disputou o governo mineiro pelo PL, mas terminou em quarto lugar. No ano seguinte, já filiado ao Podemos, foi lançado como pré-candidato à Prefeitura de Belo Horizonte.


Agora, à frente da CPMI do INSS, Viana assume uma das missões mais delicadas do Legislativo: investigar um esquema de fraudes que atinge diretamente a população idosa e de baixa renda, garantindo que o trabalho parlamentar não se limite a disputas políticas, mas resulte em medidas concretas de proteção social.