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Senador Carlos Viana é eleito presidente da CPMI do INSS em derrota ao governo

O oposicionista Carlos Viana foi eleito para a presidência da CPMI, derrotando Omar Aziz, que havia sido indicado pelo presidente do Senado. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

 


A liderança da recém-instalada Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ficou sob responsabilidade da oposição, com a eleição do senador Carlos Viana (Podemos-MG) à presidência do colegiado. Viana obteve 17 votos contra 14 de Omar Aziz (PSD-AM), candidato apoiado pelo governo, em escrutínio secreto que revelou um revés para a base governista no Congresso.



Ao assumir o cargo, Viana destacou que pretende conduzir os trabalhos com “responsabilidade e independência”, priorizando a apresentação de soluções legislativas que possam prevenir novas fraudes e proteger aposentados e pensionistas da Previdência Social.



Objetivos da CPMI


Composta por 32 parlamentares — 16 senadores e 16 deputados — a comissão terá como principal missão investigar denúncias envolvendo descontos indevidos em benefícios e operações irregulares de empréstimos consignados. Muitos beneficiários enfrentam endividamento sem nunca terem solicitado ou recebido o crédito em questão, gerando prejuízos financeiros significativos.


A expectativa é que a CPMI forneça respostas concretas à população, criando mecanismos para evitar que essas irregularidades se repitam.



Perfil de Carlos Viana


Antes de ingressar na política, Carlos Viana construiu carreira como jornalista, atuando em veículos como Globo Minas, Record Minas e Rádio Itatiaia. Ele se elegeu senador por Minas Gerais em 2018 e, desde então, se destacou em pautas relacionadas ao desenvolvimento regional e à promoção do turismo como alternativa econômica ao setor de mineração.


Em 2022, concorreu ao governo de Minas Gerais pelo PL e, no ano seguinte, já filiado ao Podemos, foi lançado como pré-candidato à Prefeitura de Belo Horizonte.


Clima da instalação da CPMI


A primeira sessão da comissão, realizada em 20 de agosto, foi marcada por debates acalorados. Parlamentares criticaram o histórico de CPIs anteriores, apontando falta de imparcialidade e suposta proteção a gestores públicos. O senador Eduardo Girão (Novo-CE), inicialmente candidato à presidência, retirou seu nome e declarou apoio a Viana, defendendo uma condução mais neutra e objetiva da investigação.


Omar Aziz, por sua vez, enfatizou a importância de manter a investigação imparcial, sem transformar a comissão em “uma guerra de narrativas”. Segundo ele, o foco deve ser punir os responsáveis e criar mecanismos de prevenção contra futuras fraudes.



Fraudes investigadas


A CPMI foi criada após relatos de empréstimos consignados realizados sem autorização de beneficiários, descontos indevidos e dívidas desconhecidas pelos aposentados. Casos de endividamento extremo sem recebimento de valores se tornaram frequentes em diversas regiões do país, motivando a criação do colegiado.


Com a presidência de Carlos Viana, a comissão busca equilibrar rigor investigativo e responsabilidade social, garantindo que os resultados não se limitem a debates políticos, mas tragam medidas concretas de proteção aos aposentados e pensionistas.